Obon

Obon

O Obon acontece no sétimo mês, conforme o calendário solar, portanto em julho, ou, conforme o calendário lunar, em agosto. Esta prática teria se iniciado com Maudgalyayana (Mokuren), um dos dez discípulos diletos do mestre Buda Shakyamuni.

Conforme se conta, este discípulo de Buda defrontou-se com o sofrimento de sua mãe, que se encontrava no mundo dos mortos. Esse sofrimento era provocado pela fome. Maudgalyayana desceu até aquele mundo e levou alimentos para sanar a necessidade da mãe. Entretanto, o alimento não conseguia ser ingerido pela mulher, ainda presa aos apegos e caprichos de quando vivia. Não sabendo mais que procedimento adotar, o filho procurou a ajuda do mestre. Uma vez conhecendo o problema de Maudgalyayana, Buda realizou uma cerimônia de Obon, logo após o término do retiro de verão, durante o período das chuvas.

Nesta ocasião, uma mesa repleta de alimentos foi oferecida aos espíritos sofredores e demônios famintos com o propósito de aplacar o seu sofrimento. Com essa intenção, a mãe de Maudgalyayana também conseguiu, juntamente com todos os outros que sofriam, alimentar-se e compartilhar do banquete oferecido.

Repetindo o gesto de Maudgalyayana, os devotos daquele ensinamento entregam-se a essa prática, oferecendo alimentos a todos que sofrem. Muitos alimentos são ofertados, sejam nos lares como também nos altares devidamente preparados para a ocasião. Essas oferendas servem para dar boas vindas aos espíritos dos antepassados, que durante esse período, voltam a este mundo, visitando os parentes e amigos que ficaram. Por isso, é costume dos fiéis retornarem para as casas dos pais, dedicando-se com alegria em compartilhar deste acontecimento.

Visitam-se os cemitérios, aproveitando-se a ocasião para lavar os túmulos, oferecer vasos de flores, velas e incenso. Em alguns altares domésticos, desde os tempos passados, a fim de ensinar as crianças, os adultos elaboram pequenas peças, confeccionando com legumes (pepino, cenoura, batata) representações de cavalos e bois. Dizia-se que os antepassados chegavam montados nas costas destes animais. Nas comunidades do interior, inclusive no Brasil, os praticantes costumam festejar dançando o “bon odori”, na cadência do ritmo pausado dos tambores. A alegria está presente em todos que, durante o Obon retornam à terra natal, compartilhando o mesmo sentimento. Com vibração se dança, mostrando a energia que emana da vida. Nas casas as mesas ficam repletas de alimentos, pratos delicadamente preparados, a fim de receber os convidados, tanto antepassados como também os amigos e parentes.

Nos templos um altar é devidamente enfeitado para essa finalidade, no qual as oferendas fartamente dispostas, para aliviar a fome dos que necessitam. De certa forma, durante o Obon praticamos um pouco a nossa compaixão em relação a todos os seres vivos ou que tiveram vida.

Como ensinou o mestre Eihei Dōgen, não devemos desejar nada daquilo que nos é dispensável. Assim, todo desperdício contraria o ensinamento de Buda. Devemos, sim, preservar a vida, repartindo aquilo que temos e assim diminuindo um pouco o nosso egoísmo. No Japão a chegada dos antepassados ocorre no “Obon no iri”, ou seja, “as boas vindas”, quando alguns acendem uma pequena chama, o “mukae-bi”, a fim de guia-los para nós. São três dias consecutivos de Obon. Quando esse período finda, é costume entre os japoneses soltar nas correntezas dos rios uma lanterna, confeccionada de papel, iluminada pela chama de uma vela. Essa lanterna serve para dirigir os antepassados para a outra margem. A despedida do Obon denomina-se “Obon no ake”. Uma vez finda essa passagem, recuperamos a energia para continuar na lida diária, esforçando-nos na prática do Grande Caminho.

Realiza-se a Cerimônia de Obon no Templo Busshinji, no mês de agosto. A celebração é aberta a todos os interessados, sejam ou não praticantes do budismo.