Escola Sōtō

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Altar do Hattō (salão do Dharma), no mosteiro fundado por Dōgen Zenji, Eiheiji, um dos berços da Escola Sōtō.
(Foto: 663highland, Wikimedia Commons)

Foi durante o período Sung do sul que Dōgen Zenji viajou à China para estudar o Darma. Após visitar muitos templos, Dōgen, aos 26 anos de idade, conheceu Tendō Nyōjo Zenji, abade do Mosteiro de Tendosan Keitokuji e herdeiro do dharma da linhagem Zen Sōtō. Graças a esse encontro auspicioso, Dōgen Zenji foi capaz de estudar com Nyojo Zenji e de se tornar sucessor do Buda Dharma Autenticamente Transmitido que tem sido passado desde Shakyamuni Buda. Logo após retornar ao Japão, com 28 anos de idade, Dōgen Zenji escreveu o Fukanzazengi (Regras Universais para a Prática de Zazen) para proclamar o Buda Dharma Autenticamente Transmitido. Apesar da oposição das escolas mais antigas do Budismo Japonês, especialmente dos monges do Monte Hiei, Dōgen Zenji sentia ser uma tarefa urgente encorajar os que buscavam verdadeiramente o caminho, e proclamar os verdadeiros ensinamentos transmitidos. Com isso em mente, ele se estabeleceu primeiro no Templo de Koshoji, em Uji e depois no Templo de Eiheiji em Echizen. Fiel a sua promessa de que mesmo uma pessoa ou ainda meia pessoa seria suficiente, ele se dedicou de coração a formar verdadeiros seguidores do Caminho de Buda.

Essa forma de pensar de Dōgen Zenji foi transmitida para seus sucessores: primeiramente Koun Ejō Zenji, o segundo abade de Daihonzan Eiheiji, e de Koun Ejō Zenji para Tettsu Gikai Zenji que fundou o templo Daijoji em Kaga. O discípulo de Tettsu Gikai Zenji, Keizan Zenji, herdou dele o Dharma. Entre os discípulos de Keizan Zenji estavam Meiho Sotesu Zenji que eventualmente herdou o templo Yokoji; e Gasan Joseki Zenji que herdou Daihonzan Sōji-ji. Esses mestres também tiveram muitos alunos excelentes que disseminaram os ensinamentos da Escola Sōtō Zen pelo Japão.
Ainda que a Escola Zen Rinzai, também herdeira de uma corrente do Budismo Chinês, tivesse o apoio e a fé de muitas pessoas influentes, incluindo o Shogunato e a nobreza, a Escola Sōtō Zen contava com adeptos principalmente de famílias ricas das áreas rurais e do povo em geral. Por causa disso, os ensinamentos da Escola Sōtō Zen se tornaram mais populares nas áreas rurais.

Durante o final do período Kamakura e no início do Período Muromachi, a Escola Zen Rinzai estabeleceu cinco templos principais em Kyoto e Kamakura, inaugurando então o sistema “Cinco Montanhas – Dez Templos” (Gozan-Jissetsu). Isso encorajou muito o desenvolvimento da cultura influenciada pela mente Zen, em especial o movimento literário conhecido como Gozan-Bungaku (Literatura das Cinco Montanhas). Em contraste, a Escola Sōtō Zen evitava qualquer ligação com o governo central, preferindo juntar-se às massas e responder às necessidades mais simples do povo, enquanto continuava suas atividades educacionais em um curso lento e constante. É claro que com o passar do tempo a Escola Sōtō Zen experimentou períodos de confusão e mudança.

A criação do jidan seido (sistema de templos para leigos) pelo Shogunato do período Tokugawa levou a uma organização e a um controle centralizado dos templos em todo o país. Durante essa época muitos dos melhores mestres da Escola Sōtō Zen apareceram; dentre eles: Gesshu Soko, Manzan Dohaku e Menzan Zuiho. Esses mestres serviram como instrumentos para corrigir vícios na transmissão do Dharma, ao mesmo tempo em que enfatizavam a necessidade de um retorno a consciência que Dōgen Zenji tinha em relação à Autêntica Transmissão Face-a-Face (menju-shiho). Essa era uma das partes de um movimento em prol de reviver a realização original da Escola Sōtō Zen. Isto também levou a uma profusão de pesquisas e edições dos clássicos da Escola Sōtō Zen, iniciando com a obra mais importante, a obra-prima de Dōgen Zenji, o Shōbōgenzō (Olho Tesouro do Verdadeiro Dharma).

Com a restauração Meiji, o novo governo baseou-se na autoridade do Imperador e em sua divindade de acordo com a teologia Xintoísta. Por causa do íntimo relacionamento entre o sistema imperial e a religião autóctone, o governo posicionou a religião tradicional Xintoísta como central para a sociedade, separando o Xintoísmo do Budismo, enquanto tentava suprimir o Budismo. O governo foi tão longe nesse propósito que chegou a proclamar a necessidade de “jogar fora Buda e acabar com Shakyamuni” (haibutsu-kishaku). Foi um golpe fortíssimo para o mundo Budista, mas as várias escolas Budistas foram capazes de superar essas dificuldades. Nesse período a Escola Sōtō Zen viu aparecer Ouchi Seiran Koji, que editou a versão original do Shushōgi (Significado da Prática e Verificação). Azegami Baisen Zenji do templo Daihonzan Sōji-ji e Takiya Takushu Zenji do templo Daihonzan Eiheiji fizeram revisões do texto de Ouchi e o promulgaram como padrão para a disseminação dos ensinamentos da Escola Sōtō Zen. O Shushōgi tem papel principal na popularização dos ensinamentos entre os leigos. Hoje, a Escola Sōtō Zen cresceu para tornar-se um grande movimento religioso que inclui cerca de 15.000 templos e 8 milhões de adeptos no Japão.

(extraído do site da Sōtōzen: http://global.Sōtōzen-net.or.jp/por/history.html)

A prática na Sōtō

Sesshin

Participantes de um sesshin (retiro) praticando zazen.

Zazen

Sentar-se voltado para a parede, procurando ir profundamente dentro de si mesmo, e encontrar seu verdadeiro eu, tem estado no cerne da prática da nossa escola. Foi esta a prática fundamental que Dōgen sintetizou como tratando-se de “apenas sentar-se”.

Saiba mais sobre o Zazen.

Samu

“Um dia sem trabalhar é um dia sem comer”, declarou um Mestre Zen. O trabalho é um importante aspecto da prática Zen. Samu é o trabalho realizado no local de prática. Pode ser limpeza, arrumação, conserto ou qualquer outra tarefa que contribua para a harmonia do local. É realizado com o coração Zen, sem considerações dualistas, sem a busca de recompensa. Na linhagem Sōtō Zen o samu é uma importante prática.

Sesshin

Para aprofundar-se no zazen o praticante participa de períodos de retiro, o sesshin. Dirante alguns dias pode dedicar-se apenas à prática de meditação, samu, refeições formais, ensinamentos, sutras e entrevistas com o mestre. O sesshin é um momento importante para o praticante de zazen, mas todos que estão trabalhando no templo – monges, leigos, funcionários, comunidade, vizinhança – também entram em sesshin durante aquele período, direcionando seus esforços para benefício da prática. Regularmente acontecem sesshins no Templo Busshinji. Para informar-se a respeito, mantenha-se atento à página de notícias ou inscreva-se em nossa lista de emails.

Teisho

A experiência Zen é a prática do zazen, realizada cotidianamente. Em determinadas ocasiões, geralmente em retiros ou durante um período do zazen cotidiano, o superior do templo profere um Teisho, ou seja, transmite ensinamentos que buscam ajudar os praticantes a realizarem a não-dualidade.

Dokusan

Ao longo de um retiro há períodos em que o mestre recebe os alunos particularmente. Nessa ocasião o praticante tem a oportunidade de esclarecer dúvidas e de receber orientações, assim como o mestre pode sugerir questionamentos ao aluno.

Costura

Tradicionalmente praticantes Zen costuram seu próprio zafu e seu manto (okesa), sejam leigos ou monges. Pode-se também costurar um zafu para ser doado, para um praticante ou para o templo. Há também situações em que se costura um rakussu (o manto pequeno) para ofertá-lo a alguém.

Ordenação

O praticante Zen pode decidir receber os preceitos de leigo e de monge. Caso o mestre o aceite como aluno, isso é formalizado numa cerimônia de ordenação.

Ōryōki

A mente Zen deve ser cultivada em todas as atividades diárias. Monges e alunos em treinamento praticam o uso do Ōryōki, conjunto de tigelas e acessórios usados nas refeições formais. Seu manuseio e sua correta utilização envolvem diversos procedimentos que vão sendo aprendidos e treinados pelo praticante, que assim desenvolve sua atenção, cultivando uma mente livre de apegos.

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Uma versão simplificada, utilizada no sesshin de um dia, do conjunto de tigelas e acessórios.